quinta-feira, 22 de novembro de 2012

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Reflexão sobre Salmo 40:3 - Prof. Eraldo Gueiros



E me pôs nos lábios um novo cântico, um hino de louvor ao nosso Deus; muitos verão essas coisas, temerão e confiarão no SenhorSl. 40:3

Por Prof. Eraldo Gueiros
(Rev. Eraldo é professor das disciplinas de Evangelização, Missões e Discipulado do Seminário Cet Recife).
 
        Quem não conhece as famosas declarações do Salmo 40, e não admira sua força motivacional diante das adversidades. “Davi esperou e o Senhor finalmente o atendeu”. Não existe nada mais fortalecedor para se ouvir em momentos difíceis da vida.
   Mas com certeza, essa não é a única lição que aprendemos do Salmo 40. Gosto de pensar em como Davi usava as suas experiências para testemunhar do Senhor. Sabemos por diversos textos bíblicos, que as provações são uma excelente maneira pedagógica de ensino, de amadurecimento, de quebrantamento, mas também de evangelização!
   As nossas experiências com Deus, boas ou difíceis, são elementos sólidos para o nosso testemunho e nossa motivação para pregar. Quantas pessoas estão passando pelos mesmos problemas que você passou, com a diferença primordial de que, não dispõe do conhecimento e do conforto de Deus?
   Quando compartilhamos nossas experiências, o fazemos com autoridade, porque alcançamos conhecimento de causa; e com unção, porque Deus permitiu tal experiência em nossas vidas para a sua glória e nossa instrumentalidade.
   Não há dúvidas que Davi também pensava dessa forma. Ele declara que diante do resultado final da benção de Deus na sua vida, “...muitos verão essas coisas...” (vs.3). Enquanto durava sua provação seu papel era de perseverar esperando no Senhor. Uma vez concluída sua provação e de posse da sua vitória, seu papel agora seria de divulgador do amor e da fidelidade de Deus na sua vida.
   Davi tinha plena convicção do impacto que suas experiências produziriam na vida daqueles que o ouvissem, pois ele declara “...temerão e confiarão no Senhor” (vs.3). Gosto sempre de encarar meus obstáculos diários sejam pessoais, familiares ou ministeriais, como combustível para minha vida espiritual e ferramentas que facilitarão a pregação do evangelho.
   Creio que essa é uma grande carência na pregação de nossos dias, compartilhamos muito pouco aquilo que Deus tem feito em nossas vidas. Neste mundo pós-moderno e racionalista, as pessoas precisam conhecer o Deus pessoal das Escrituras, que se envolve conosco todos os dias e cuida de nós.
Use suas experiências, testemunhe e melhore sua evangelização!    

(Rev. Eraldo é Bacharel em Teologia e Pós-graduado em Missiologia Urbana pelo Seminário Presbiteriano do Norte (Recife); Tem licenciatura de Teologia pela FATER; Pós-graduado em Missões Transculturais pelo EMM.)

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Dinheiro: Benção ou Maldição? - Por Dr. Russel Shedd

   Dinheiro: Benção ou Maldição?

Por Dr. Russel Shedd

Paulo afirma que o amor ao dinheiro é raiz de todos os males (1Tm 1.10). Por que será que nenhuma sociedade escapa dos grandes males criados pelo sucesso? A resposta estaria no fato que o narcisismo acaba minando todos os valores. O servo dessa preocupação com nosso bem-estar é o dinheiro, que tem a força para nos captar em sua rede, do mesmo modo que um animal é capaz de tirar sua própria perna para se libertar de uma armadilha.

Não ignoramos que o dinheiro é um valor que pode abençoar quem recebe ou dá. Paulo escreveu em sua Segunda Carta aos Coríntios sobre a importância do dinheiro para socorrer os necessitados (caps. 8 e 9).

Queremos entender melhor o que a Bíblia tem para nos dizer a respeito dessa tão útil e perigosa ferramenta, que pode tanto fazer o bem como o mal.
A bênção do dinheiro
Quando Deus criou o homem, abençoou-o e deu a ele o privilégio de dominar, mas sempre como mordomo do Senhor (Gn 1.28). Após a queda, o desejo pelo domínio cresceu e rapidamente a humanidade se esqueceu da responsabilidade de usar as coisas materiais para a glória de Deus e para o bem de todos.

Quando Jesus ensinou que é mais abençoado dar do que receber (Atos 20.35), não é dito que é necessário receber primeiro para poder dar. A fonte de tudo que recebemos é Deus. Sua generosidade se manifesta todo dia em que ele providencia as condições para produzir suprimentos de toda espécie para manter a vida, além de tudo que seja útil para manter a proteção e conforto. Toda atividade econômica depende do Criador que supre as condições necessárias para realizá-la.


Deus nos criou para gozar de vida corpórea e espiritual. Posses devem sustentar a vida do corpo ― casa, alimento, transporte e fornecer mil outros produtos. Os livros que comunicam a verdade eterna às nossas mentes são apenas um exemplo. Paulo refere-se à bondade de Deus ao declarar para o povo de Listra, “não se deixou ficar sem testemunho de si mesmo, fazendo o bem, dando-vos do céu chuvas e estações frutíferas, enchendo o vosso coração de fartura e de alegria” (At 14.17). A bênção de Deus sobre o mundo material, em benefício do homem, é um sinal do amor de Deus por todos. Dinheiro fornece um meio eficiente para distribuir os benefícios doados por Deus e repassar a fartura para os necessitados.


Jesus confrontou o jovem rico com a surpreendente declaração de que somente vendendo tudo que tinha e dando o resultado aos pobres teria o privilégio de ser discípulo e ganhar a vida eterna (Mc 10.21). A bênção seria rejeitar o amor ao dinheiro e, em seu lugar, alcançar um amor real pelo próximo. O sacrifício material no tempo presente garantiria a bênção maior no futuro – “terás tesouro no céu”. O galardão que aguarda todos que ajuntam tesouros no céu é glorioso e seguro (aí não há ladrões, nem qualquer tipo de destruição de perda, Mt 6.20). “Onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração” (v. 21).


Fica claro que a única maneira de mandar riqueza para o céu é usando dinheiro para beneficiar os necessitados; pode ser materialmente ou espiritualmente. Dar generosamente aos necessitados é o melhor de todos os investimentos. Seu retorno será grande e sua felicidade eterna.
A maldição do dinheiro
O apego aos valores materiais assedia a maioria dos homens. Possuir dinheiro e tudo que ele pode comprar dá satisfação e segurança. O desejo de adquirir mais do que necessitamos alimenta o egoísmo natural que faz parte do mundo que a Palavra de Deus nos proíbe amar (1Jo 2.15). O avarento não tem herança no reino de Deus (1Co 6.10). “O amor ao dinheiro é raiz de todos os males” (1Tm 6.10). Basta notar a frequência de notícias de corrupção nos altos escalões do governo para perceber que dinheiro é uma forte fonte de tentação.

A maldição das posses é muito sutil. Poucas pessoas reconhecem o seu perigo. A maioria pensa que ganhar mais dinheiro demonstra a bênção de Deus sobre a vida. Em alguns casos, é verdade. Mas, na realidade, a falta de dinheiro pode ser o caminho da bênção, porque humilha, rebaixando os homens ao nível de mendigos. Tornam-se dependentes da graça de Deus, e alvos do amor dos irmãos na fé. A maldição invade nossas igrejas se não há generosidade. A prática da igreja de Jerusalém não nos incentiva a cuidar dos órfãos e viúvas, mesmo diante da declaração que “religião pura e sem mácula” é cuidar dos órfãos e viúvas (Tg 1.27).


Um dos casos bíblicos mais impressionantes relata a consequência maldita da mentira de Ananias e Safira (At 5.1-11). Esse casal crente, da igreja de Jerusalém, vendeu uma propriedade. A avareza os levou a concordar em reter uma parte do preço e oferecer a Deus o resto. Mentiram, afirmando que a quantia depositada “aos pés dos apóstolos” era o valor total. O resultado foi a morte sumária dos dois. Por quê? Não foi porque não ofereceram tudo para o Senhor, mas porque mentiram, desejando apresentar-se mais desprendidos do que na realidade foram.


Outra surpresa na Palavra é descobrir que é possível distribuir todos os bens entre os pobres sem amor (1Co 13.3). Se assim for, não há proveito nenhum para o doador. Com isso, Deus quer nos ensinar que podemos dar com motivos errados. Sacrifício material, sem amor, não agrada a Deus e não acarreta benefício algum para o doador. Seguramente muitos filantropos oferecem somas grandes para acolher aos necessitados, mas eles não recebem nenhum proveito diante do Juízo do universo. Joan Kroc, herdeira da fortuna da cadeia mundial de lanchonetes McDonald’s, doou ao Exército de Salvação de San Diego, na Califórnia, 80 milhões de dólares. No juízo final, será revelado se a sra. Kroc terá algum benefício em troca dessa razoável oferta.
Conclusão
O privilégio de ser mordomos de Deus, pelo uso das riquezas deste mundo, deve nos segurar diante da tentação da avareza. A maldição do dinheiro somente se transforma em bênção quando o Espírito Santo produz o seu bendito fruto em nossas vidas. Esse fruto é amor e benignidade (generosidade) (Gl 5.22). Vence-se a maldição por meio do Espírito de Cristo que cria uma vida em benefícios dos outros, em lugar do narcisismo feroz.
 
(O Dr. Russel Shed é PhD em Novo Testamento pela Universidade de Edimburgo (Escócia). Fundou a Edições Vida Nova há mais de 40 anos e atualmente é consultor da Shedd Publicações. É missionário da Missão Batista Conservadora no Sul do Brasil e trabalha em terras brasileiras há vários décadas.)
FONTE: http://www.teologiabrasileira.com.br/teologiadet.asp?codigo=108)